Os Profetas do Mestre Aleijadinho
Por Marcos Tiahua
Quem visita Congonhas pela primeira vez, se encanta com a
riqueza do período barroco e do estilo rococó deixado por diversos artistas
como Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como mestre Aleijadinho e de
pintores como Manuel Athaíde. Congonhas possui uma história muito rica.
Diversas personalidades já passaram pela cidade e estão registradas em galeria,
no
Museu
da Imagem e Memória de Congonhas. Subindo as ladeiras para chegar no alto
da Praça da Basílica é possível encontrar o
Santuário
de Bom Jesus do Matozinhos, uma obra inspirada em dois santuários
portugueses. Mas a versão brasileira conta com uma das obras maestras de
Aleijadinho, os doze profetas esculpidos em pedra sabão e as seis capelas com
os passos da paixão, o que torna a cidade um dos principais pólos turísticos do
Estado.
Crença e mediunidade
Outro personagem que também deixou as suas marcas no município foi o médium Zé
Arigó. Segundo contam os moradores nativos e alguns registros de sua vida, ele
era um homem de muita simplicidade e curou centenas de pessoas que vinham de
diversas localidades do país. O espírito Dr.Fritz, médico alemão desencarnado,
operava e clinicava através de sua mediunidade, utilizando equipamentos muito
simples.
Religiosidade
Além do Santuário outras igrejas de destaque na cidade são a
Matriz de
São José,
Matriz de
Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário,
Nossa
Senhora da Ajudae
Nossa
Senhora da Soledade. A tradição religiosa do município é ainda mais forte
entre os dias sete e 14 de setembro, quando ocorrem as festas do Jubileu do
Senhor Bom Jesus. Antigamente a Romaria abrigava romeiros de todas as
localidades que vinham ao encontro de sua fé. Com o passar do tempo ela foi
perdendo essa sua utilidade e foi demolida, para mais recentemente ser
reerguida e abrigar boa parte do acervo cultural da cidade. Hoje, lá estão o
Museu de Mineralogia e Arte Sacra e a sede da Fundação Municipal de Cultura,
Lazer e Turismo (Fumcult).
Recentemente, o Ministro da Cultura Gilberto Gil, aprovou a
construção do primeiro museu moderno com dependências subterrâneas de Minas
Gerais. O Museu de Congonhas deverá abrigar os 12 profetas de Aleijadinho. No
adro da basílica serão colocadas réplicas das esculturas. Sua área corresponde
a 3.680 metros quadrados, contendo parte de sua estrutura localizada no subsolo
do Hotel Colonial. A praça da Basílica também deverá ser duplicada. A criação
do museu faz parte do Programa Monumenta do Ministério da Cultura.
Plebiscito
Outra polêmica foi em relação à mudança de nome da cidade. Alguns grupos de
moradores queriam que retornasse ao antigo nome de Congonhas do Campo, mas um
plebiscito realizado em 30 de agosto de 2003 decidiu manter o nome de
Congonhas.
HISTÓRIA DE CONGONHAS
O início do povoamento da cidade de Congonhas ocorreu por
volta do ano de 1700, quando lusitanos que haviam se instalado na antiga Vila
Real de Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, passaram a buscar na região outras
localidades que se demonstrassem prósperas para a prática da mineração
aurífera. Estes agrupamentos instalaram-se em volta do rio Maranhão e ao longo
do tempo foram se desenvolvendo. Segundo Xavier da Veiga, a Freguesia* de
Congonhas teria sido criada em 1745, no entanto, existem contestações quanto a
esse respeito. Outras datas são mencionadas como no livro de Lotação das
Freguesias do Arquivo Eclesiástico de Mariana. No registro estão expressas
as seguintes informações: "Foi erigida por ordem de S. Majestade, em 1734,
e depois, pelo Ordinário, em curato e, pelo alvará de 13 de abril de 1745, foi
mandada declarar de natureza coletiva, em lugar de Nossa Senhora da Conceição
do Ribeirão do Carmo que, pela sua elevação à cabeça da Diocese, passou a ser
curato amovível a arbítrio do Prelado". A escolha do nome Congonhas teve
sua inspiração nas paisagens daquela região mineradora. Congonhas é o nome de
uma abundante planta existente nas proximidades do arraial, o Congõi, que em
Tupi significa “O que Sustenta, O que Alimenta”. Com o rápido
desenvolvimento do Distrito devido às imensas riquezas em ouro encontradas em
seu entorno, Congonhas não chegou nem mesmo a ser uma Vila passando diretamente
para o título de Município. No ano 1948, ocorreu uma simplificação da
denominação do município que então se chamava Congonhas do Campo sendo reduzida
para Congonhas, sem uma antecedente consulta à população. Recentemente, no dia
31 de agosto de 2003, foi realizado um plebiscito na cidade para averiguar o
desejo dos moradores para retornar às origens com o nome de Congonhas do Campo.
Mas cerca de 20.500 pessoas dos quase 26 mil eleitores votaram para manter o
nome atual de Congonhas. Pela cidade passariam grandes arquitetos e artistas
consagrados que deixaram marcas expressivas para toda a posteridade, como o tão
conhecido hoje, Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho. Em Congonhas, o
mestre Aleijadinho deixou doze profetas esculpidos em pedra sabão sendo
expostos no alto da Basílica de Bom Jesus do Matosinhos. No percurso até a
chegada à basílica, é possível conhecer outra marca de sua obra, os seis passos
esculpidos em madeira.